MASSACRE DE SEM TERRAS
NO ACAMPAMENTO DA FAZENDA NOVA ALEGRIA
MUNICIPIO DE FELISBURGO, MINAS GERAIS
Cerca de duzentas familias do MST ocupam a area conhecida como Fazenda Nova
Alegria, no municipio de Felisburgo, há mais de dois anos.
As familias estão lá tranquilamente, cultivando a terra e acampadas,
esperando uma solução definitiva. A area é pretendida pelo fazendeiro
ADRIANO SHAFICO, que vive no estado da Bahia e teria ligações com o poder
judiciario local.
Logo apos a ocupãção há dois anos atras, o Instituto de Terras de Minas
Gerais, ao analisar a situação conjuntamente com o Ministerio Publico local,
verificou que as areas são de fato devolutas, e pertencem ao estado de Minas
Gerais. Assim, o INCRA não poderia, nem legalmente desapropriar, pois na
verdade o pretenso fazendeiro era grileiro.
Sabendo dessa situação, o fazendeiro passou esses dois anos fazendo todo
tipo de provocações, fazendo ameças, chegou a sequestrar adolescentes,
tentando de tudo fazer com que os sem-terra abandonassem a area.
Hoje, sabado, dia 20, por volta do meio dia, enquanto a coordenação do
acampamento estava reunida num barraco,
cerca de 15 pistoleiros fortemente armados com carabinas, espingardas doze,
invadiram o acampamento atirando, precisamente no barraco da reuniao, e
atiraram intermetitentemente contra todos e todas.
Resultado: 5 companheiros morreram na hora. E foram levados outros 15
gravemente feridos para os hospitais. Há tambem ciranças e mulheres
levemente feridas.
Os acampados reconheceram os atacantes como pistoleiros dos fazendeiros da
regiao, e um deles inclusive seria recem forgaido da cadeia local por
assassinato.
É evidente e notorio que o mandante desse massacre é o grileiro, fazendeiro
Adriano Shafico.
O Movimento dos trabalhadores rurais sem terra, espera que a Justiça seja
estabelecida, que todos os 15 pistoleiros que vieram em dois veiculos, com
placas identificadas, e o fazendeiro mandante, sejam imediatamente presos.
E que o governo do estado de Minas tome posse da area, para distribui-la
aos trabalhadores.
O Municipio de Felisburgo, fica a 700 km de Belo Horizonte, localizado no
Vale do jequitinhonha,na divisa com o estado da Bahia e é uma das regioes
mais pobres do país.
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A esquerda do PT volta ao debate político
Passado o período das eleições, quando esteve submersa nas campanhas e pouco
se diferenciou do campo majoritário do PT (com exceções, como em
Fortaleza), parece que a esquerda do PT está voltando à atividade. Segundo o
jornal O Globo, um grupo de 15 deputados (que inclui Chico Alencar, Ivan
Valente, Maninha e Walter Pinheiro) apresentou à reunião do Diretório
Nacional do partido (que se realiza hoje e amanhã) um documento intitulado
Rumo à Mudança Verdadeira, no qual são feitas críticas importantes ao
governo Lula e à maioria do PT (matéria reproduzida abaixo). Vários aspectos
do documento merecem ser destacados.
1) A caracterização do PT como partido de centro, e a constatação de que
a política brasileira é dominada hoje por um novo centro político, que vai
do PT ao PFL.
O documento diz que o PT hoje é um partido de centro, subordinado ao
governo, que trocou seus princípios por interesses de poder; desprestigiou
sua militância, cedendo ao poderio financeiro sem dúvida uma
caracterização bastante boa do que é o PT hoje. O documento diz ainda que a
política brasileira hoje é dominada por um Novo Centro Político conformado
por quatro grandes partidos (PT, PSDB, PMDB e PFL).
2) A denúncia do vínculo crescente entre o PT e a corrupção, como
conseqüência da aceitação da aritmética do poder.
O documento diz que o PT se alia a pessoas acusadas de corrupção; que o
continuísmo exacerbado da ortodoxia econômica trouxe com ele uma outra
continuidade: a da velha 'aritmética do poder' que alimenta o intestino
grosso da pequena política. A política dos princípios, muito forte no
período de ascensão do projeto petista, saiu de cena e, na forma brusca da
conversão súbita, deu lugar à política dos interesses (...) não há obstrução
(de votações) por divergências quanto a projetos para o país, mas em função
do ganho imediato. O pragmatismo da pequena política começa a dilapidar o
precioso patrimônio do compromisso com a ética (...) Figuras públicas
vinculadas ao PT, presas ou denunciadas por corrupção, começam a surgir com
constrangedora freqüência, para gáudio dos nossos adversários.
3) A crítica ao continuísmo conservador do governo Lula, ancorado no
consenso das elites.
Além da já citada frase sobre o continuísmo exacerbado da ortodoxia
econômica, o documento diz que a governabilidade ancorada no consenso das
elites serve ao continuísmo, que só faz agravar a crise social que se
avoluma.
4) O documento reconhece a derrota eleitoral do PT nas recentes eleições.
Recusando as avaliações apresentadas pelos dirigentes do campo majoritário
do PT, de que o PT teve uma vitória eleitoral geral, o documento diz que ou
o PT volta a ser o PT, ou vai perder a eleição de 2006.
É possível apontar limites nessas caracterizações.
Em primeiro lugar, é razoável dizer que o PT é um partido de centro,
embora mais correto fosse dizer que ele se tornou um partido social-liberal.
Mas a afirmação de que o bloco que domina a política brasileira, com a
presença muito ativa do PT, é de centro, não pode ser aceita. Este bloco é
claramente de direita, tanto que tem encaminhado uma política globalmente
neoliberal. Do mesmo modo, o governo do PT é de direita (naturalmente, não é
possível dizer que quem encaminha uma política globalmente neoliberal é de
centro). O governo Lula subordina conscientemente os interesses dos
trabalhadores e do povo aos interesses da grande burguesia, nacional e
internacional.
Com relação às colocações sobre vínculos do PT com a corrupção, elas são
suficientes para fazer qualquer petista honesto ficar rubro de vergonha. No
entanto, são ainda bastante eufemísticas. A realidade não é apenas que o PT
se alia a pessoas acusadas de corrupção ou que figuras públicas vinculadas
ao PT, presas ou denunciadas por corrupção, começam a surgir com
constrangedora freqüência. Seria mais correto dizer, como mínimo, que o PT
passou a abrigar muitos corruptos de vez em quando sendo obrigado a
excluir algum deles dos seus quadros além de se aliar aos mais notórios
corruptos da política brasileira, como Paulo Maluf.
Com base nas passagens divulgadas por O Globo, no entanto, podemos dizer que
a maior limitação do documento é sua crença de que ainda é possível mudar os
rumos do PT. Tudo indica que esta é uma esperança vã.
De qualquer maneira, o mais importante no caso não são as limitações do
documento. O fato fundamental é que um setor decisivo da esquerda do PT está
retomando sua presença no debate político brasileiro debate mais
necessário do que nunca, para que todas as correntes socialistas brasileiras
possam construir uma alternativa de esquerda para o Brasil, contraposta ao
pesadelo que tem sido o governo Lula.
(João Machado)
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Morre o economista Celso Furtado
Tasso Marcelo/AE
São Paulo - O economista Celso Furtado faleceu neste sábado no Rio de
Janeiro. A informação é do líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante,
que participa, em São Paulo, de reunião do Diretório Nacional do PT. Segundo
o senador, o velório será realizado na Academia Brasileira de Letras (ABL)
no Rio.
Mercadante lamentou o falecimento de Furtado. "Ele foi seguramente o mais
importante economista do Brasil, um homem que pensou com muita grandeza no
desenvolvimento deste País", comentou. Para o petista, Furtado foi um dos
maiores pensadores da América Latina, tendo obras reconhecidas em todo
mundo. "Foi um brasileiro marcado pela coerência, pela competência com o
desenvolvimentismo, pelo espírito público, pela grandeza no trato e pelo
compromisso com a democracia", disse.
A notícia do falecimento do economista fez com que os membros do PT
paralisassem a reunião do diretório para homenagear Furtado com um minuto de
silêncio.
Mercadante ressaltou ainda que Furtado ajudou o governo do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva. Entre as colaborações dadas pelo economista, esteve a
indicação de Carlos Lessa para a presidência do BNDES. Lessa foi demitido
nesta semana do cargo pelo presidente Lula. Um dos últimos atos de Furtado
foi a assinatura de um abaixo-assinado em favor da permanência de Lessa
frente ao BNDES.
TESTO DELL'ECONOMISTA CARLOS LESSA DIMESSO DALLA PRESIDENZA DELLA BNDES
(alla quale era stato nominato su indicazione di Furtado)
DOCUMENTO "Agradecimento" de Lessa é
declaração de amor ao povo brasileiro
O economista Carlos Lessa leu e distribuiu um comovido texto na manifestação
de homenagem que recebeu ontem (19), um dia depois de ser demitido da
presidêncisa do BNDES por fazer críticas à linha macroeconômica dominante no
governo.
O "Agradecimento ao apoio popular" elogia Lula e ao discursar o homenageado
lembrou que Guido Mantega, seu sucessor no banco, "não é o anti-Lessa". Mas
o texto aponta "uma manobra astuciosa da elite para frustrar os sonhos
populares". Em outra dimensão, mais profunda, é uma proclamação ideológica
do "neonacionalismo" e do "neopopulismo", neologismos que Lessa forjou e
assume com uma ponta de ironia. E é uma arrebatada declaração de amor ao
povo brasileiro. Merece ser lembrada como um dos documentos marcantes desta
quadra da história do país. Veja a íntegra:
"Agradecimento ao apoio popular"
"Estou muito comovido pelo apoio diversificado que venho recebendo.
Organizações populares, partidos políticos, velhos amigos, intelectuais que
respeito, artistas brasileiros que admiro. Apoio de pessoas que não conheço
pessoalmente, em todos cantos deste imenso país.
Tenho que esclarecer as razões pelas quais deixei a reitoria da minha
universidade, a Universidade Federal do Rio de Janeiro, tendo sido eleito
por 85% dos votos dos meus companheiros, para ser presidente do BNDES. Eu
sou e me sinto muito bem como professor, retorno na próxima semana para as
minhas funções como professor. Jamais aspirei ser banqueiro. Porém aceitei a
missão, convocado pelo presidente Lula.
Aceitei porque, em primeiro lugar, o convite vinha de Lula, que para mim é
um símbolo vigoroso da criatividade, da resistência e da mobilidade social
do povo brasileiro. Fiquei emocionado ao ouvir Lula dizer, ao ser diplomado
presidente da República, que aquele havia sido o primeiro diploma de sua
vida e explicar que não tem certeza da data do seu nascimento, o que
exemplifica como a pobreza retira direitos fundamentais do povo brasileiro.
Aceitei a convocação porque o presidente me deu apoio para compor uma
diretoria integrada por profissionais do BNDES e do Banco Central, todos
bons professores. Aceitei a convocação do presidente para uma função
estratégica, que ele assim anunciou: dirigir o Banco dos sonhos dos
brasileiros.
Interpretei o convite para ser parceiro de um projeto de desenvolvimento
nacional com inclusão social. Cooperar com esse sonho me levou a ser um
homem da situação, o que mudava minha trajetória de vida, na qual estive
sempre na oposição ao sistema que oprime o povo brasileiro. Antes, estive na
situação apenas em um breve período no governo de João Goulart, o que mais
tarde deu origem ao meu exílio. No outro único momento em que estive na
situação foi quando aceitei o convite de Ulysses Guimarães para ser diretor
do Fim Social.
Ao longo da minha vida sedimentei uma convicção importante. Considero a
soberania e a robustez da nação pré-condição fundamental para a solução do
problema social. Para mim isto impõe o primado dos interesses nacionais
sobre os demais interesses.
Sou da geração que viu a Segunda Guerra Mundial. Vi a bomba. Vi milhões de
pessoas serem exterminadas por razões religiosas, geopolíticas, razões
estúpidas diante do valor da vida humana. Sonhei com a Carta dos Direitos
Fundamentais da Pessoa Humana, proclamada pela ONU. Acreditei que, se a
humanidade afastasse o fantasma da guerra, seria possível dar a todos os
habitantes do planeta condições básicas de uma vida digna:educação, saúde,
habitação e lazer.
Sou de uma antiga família da elite brasileira carioca. Convivi na minha
juventude com amigos das favelas do meu bairro. Jogavam futebol muito melhor
do que eu e sabiam muito mais de como lidar com as moças. Eu sabia que não
tinham muito dinheiro, mas não percebia a distância social que nos separava.
Vim percebê-la fora do Rio de Janeiro, quando jovem fui trabalhar para
Miguel Arraes no Plano diretor de Recife. Conheci as favelas do Pina e de
Boa Viagem. Foi para mim um choque brutal. Como era possível que outros, a
elite brasileira, concordassem com as condições trágicas de vida daquelas
pessoas? A partir desse momento, recortei em minha cabeça dois grupos: as
elites insensíveis e o povo sacrificado e abandonado deste país.
De conservador virei um revoltado. E me perguntei: o que fazer para, usando
a linguagem do saudoso Teotônio Vilela, resgatar a dívida social? A formação
de economista me deu pistas teóricas e informações práticas que me fizeram
acreditar ser possível um sonho, o desenvolvimento nacional com inclusão
social. Em resumo, uma civilização brasileira.
Percebi elites de vários formatos, identifiquei as contra-elites e fiquei
cada vez mais fascinado pelo povão brasileiro. Uma pergunta sempre me
perseguiu. Como conseguiram sobreviver com tão pouco e com elites tão
descomprometidas com o sonho civilizatório?
Aos poucos fui conhecendo em profundidade o povo brasileiro. Um povo
extremamente criativo em arte de sobrevivência. Percebi com clareza como
este povo criou a favela, organizou o lugar, resolveu o problema de
urbanismo e de arquitetura, criou códigos de conduta e desenvolveu uma
solidariedade básica: a comunidade, inventada pelo povo para sobreviver.
Descobri um povo maravilhoso no campo. O caipira que constrói a riqueza
nacional a partir da fertilidade da terra, vivendo em pequenas propriedades,
em condições ultraprecárias. Percebi a imensa contribuição dessa gente para
ocupação real do território brasileiro.
Olhei de perto os imigrantes europeus, asiáticos e do Oriente Médio. Vi seus
filhos fazerem avançar a cidadania e contribuírem de mil formas para o
caldeirão brasileiro. O caldeirão do povo brasileiro.
Vi o imigrante português dando sempre uma contribuição decisiva. Vi os
afro-brasileiros, descendentes de escravos para os quais a elite brasileira
nada fez. Vi os caboclos amazônicos criando uma forma adaptativa única e
garantindo para a Nação a ocupação de um imenso pedaço deste país.
Em resumo, vi um povo resistente, criativo e, para a minha maior surpresa,
espantosamente alegre. Tenho pelo povo brasileiro a confiança de que nele
está a possibilidade de uma contribuição original para a civilização
mundial, porque:
1- Não somos arrogantes. Deixamos o recém-chegado ao país à vontade para
empreender, para conhecer nossos defeitos e nossas qualidades.
2- Assimilamos qualquer coisa que venha de fora e a impregnamos de
brasilidade.
3- Sabemos dar importância à cooperação, pois o povo aprendeu que não pode
sobreviver sem a solidariedade.
4- Praticamente não temos preconceitos raciais, religiosos etc.
5- Gostamos de tudo o que é misturado. Música, comida a quilo, feijoada com
sushi, X-tudo...
Em contraponto, tornei-me um historiador econômico para conhecer melhor o
papel da elite nacional que:
1- Fez a independência, mas manteve a escravidão.
2- Que depois aboliu a escravidão da maneira mais canalha possível, sem
reforma agrária, sem escola pública, sem direitos trabalhistas.
3- Que criou uma República que na prática manteve as oligarquias no comando
e o povo sob controle.
4- Que criou o clientelismo, transformando o que deveria ser direito em
favor.
5- Que sempre procurou afastar qualquer contra-elite e, quando alguma teve
sucesso, foi capaz de levar ao suicídio o presidente Getúlio Vargas.
6- Que adotou, entusiasticamente e operacionalmente, o rótulo comunista para
ser aplicado a quem quisesse contrariar.
7- Que deu suporte ao regime autoritário enquanto este lhe serviu.
8- Que passou a ser democrática por conveniência.
9- Que tenta fazer que o povo ache o político um ser essencialmente
corrupto, inútil e astuto.
10- Que, sob o rótulo autoritário ou democrata, usa o Estado de forma
desbragada e despudorada a favor de seus interesses.
Conheço nossas contra-elites. Tenho o maior respeito pelas suas intenções e
pelos seus esforços, porém suspeito que não percebem coisas básicas do povo
brasileiro. Esse povo é heterogêneo, não é classificável pelo corte clássico
burguês/proletário, ou pela categoria terrivelmente abstrata e a-histórica,
de trabalhador. Não percebem que o povo está criando por movimentos, por
novas formas, por novas regras, uma sociedade que poderá vir a ser realmente
inclusiva.
A nossa contra-elite não gosta muito de aprender com o povo. Se gostasse,
respeitaria a mãe crecheira, a nova confissão religiosa, a relação com a
birosca, o sistema do aprendiz etc.
Sou neopopulista. Amo o povo brasileiro e acho que a história fez dele um
ente amoroso, capaz de criar uma civilização afetuosa e alegre. Não há nada
mais civilizado que ver o povo criar uma festa de passagem de ano na orla de
Copacabana, com quase dois milhões de pessoas festejando em completa
harmonia e, insistentemente, acreditando num futuro melhor. Não há nada mais
civilizado do que ver o povo que celebra festas como a de Parintins ou a de
Barretos, verdadeiros rituais que renovam a crença de que este pode ser um
país melhor para os brasileiros.
Sou neonacionalista. Não há solidariedade internacional. A regra do mundo é
quem pariu Matheus que o embale. Por isso precisamos ter sob controle e em
produção nacional vacinas, remédios, sementes, estoques de alimento,
equipamentos para que as Forças Armadas possam realmente garantir que a
Amazônia continue sendo de nossos filhos e netos.
Nossas elites querem desfrutar do padrão de vida de Nova York ou de Miami e
ter mão-de-obra doméstica ultrabarata. Querem coloc