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r : rbt-@yahoogroups.com 24 August 2011 • 7:41AM -0400

[rbt-] Estadão fere a presidenta Dilma com a espada do Exército
by PLista_YG

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Fonte: Palavra Livre (JB) - http://jblog.jb.com.br/palavralivre/

Em 22/08/2011


  Estadão fere a presidenta Dilma com a espada do Exército
  <http://jblog.jb.com.br/palavralivre/2011/08/22/o-estadao-fere-a-presidenta-dilma-com-a-espada-do-exercito/>

*/A foto de Dilma a ser ferida é mais do que simbólica. É um desejo/*.

Quando eu escrevi o artigo */O Partido da Imprensa/*, texto que faz um
raio-x da imprensa hegemônica e privada, que está publicado neste
*Palavra Livre*, a grande maioria das pessoas concordou; porém, a
minoria considerou o texto à esquerda do espectro ideológico, o que me
levou a pensar que esses leitores são conservadores e, portanto,
refratários às questões que ofereci ao público para debater e fazer das
informações uma oportunidade de conhecer como a imprensa empresarial
age, atua e desenvolve seus trabalhos em prol de seus interesses
comerciais, financeiros, ideológicos e partidários.

A imprensa não é livre e nem imparcial. Ela tem lado, bem como ideologia
e preferências políticas e sociais, no que tange, por exemplo, à defesa
do /status quo/ das classes privilegiadas, geralmente compostas por
empresários e pelos seus homens e mulheres de confiança, que são
executivos que compõem as classes rica e média alta. A imprensa privada
tem lado político e partidário. Censura a si mesma se necessário for
para garantir e preservar seus interesses e privilégios. A ser assim,
ela apóia os candidatos e políticos de direita, bem como faz política,
ao ponto de apoiar governantes e executivos públicos que tratam de seus
interesses com acuidade e uma certa vassalagem, geralmente alicerçada no
medo, na pusilanimidade ou simplesmente por esse agente público ser
também conservador.

Contudo, o que eu quero dizer é que a imprensa brasileira comercial e
privada --- uma das piores e mais reacionárias do mundo --- não mede
conseqüência e "peita" qualquer autoridade eleita pela vontade do povo e
instituição pública se essa autoridade ou instituição não se pautar por
sua cantilena, arenga ou ladainha. Para isso, ou seja, para ter seus
interesses e sua prepotência e arrogância atendidos, a imprensa não se
furta a manipular as matérias, a não ouvir o lado atingido por ela (age
assim sempre) e até mesmo simplesmente mentir, sem nenhum problema e
preocupação profissional, no que concerne a realizar um bom jornalismo,
democrático e justo. Só que a imprensa é comercial e quem disputa
publicidade, recursos orçamentários e favores políticos, esquece,
irremediavelmente, o jornalismo que, por causa disso tudo, transforma-se
em gangsterismo.

É o que acontece. É a mais verdadeira realidade. E é por causa disso
tudo que o nome deste artigo publicado nesta democrática tribuna é*/O
Estadão fere a presidenta Dilma com a espada do Exército/*. E foi o que
os reacionários que apoiram o Golpe Civil-Militar de 1964 fizeram. Freud
explica! Basta o leitor ver a foto e pensar no que levou os editores do
direitista jornalão paulista a cometer tal ignomínia, indescritível
insensatez, além de uma provocação pérfida, desumana, porque a
presidenta Dilma Rousseff foi torturada em sua alma e espírito, em sua
carne pelos verdugos da ditadura militar.

Nada, contudo, que me surpreenda. Conheço a imprensa por dentro e por
fora há 26 anos. É assim mesmo que a banda toca nas redações. Vou
exemplificar. Quando o grande brasileiro nacionalista Celso Amorim
assumiu a pasta da Defesa, as redações das Organizações(?) Globo em
Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo definiram que iriam à caça do
insigne chanceler. O assunto vazou e os próceres, os capitães-do-mato da
imprensa privada (privada nos dois sentidos, tá?) e os condestáveis
barões de imprensa e de mídias recuaram, mas ficaram furiosos, porque
estavam a fim de morder a jugular do jornalista ou executivo que vazou
tal "infâmia". Mas como apontá-lo? Não tem como.

Todavia, o recuo é somente por enquanto, porque eles são Ideológicos e
odeiam o homem que efetivou no Itamaraty uma política externa
independente e soberana para o Brasil, em vez de uma política de
punhos-de-renda como a do Celso Lafer, chanceler de FHC que tirou os
sapatos no aeroporto de Nova Iorque para um agente estadunidense
subalterno. É assim a nossa elite. Prepotente com os mais fracos, mas
vassala e sem vergonha na cara quando se trata de lamber as botas das
autoridades dos países ricos, que na são mais ricos como antes da crise
de 2008, que derreteu o fracassado sistema neoliberal. Celso Amorim
apeou o G7 do poder, para em seu lugar ascender o G-20, este, sim,
lidera o mundo. Os "especialistas" de prateleira da Globo News e da Veja
nem isso perceberam, e querem cantar regra.

É uma imprensa tão anti Brasil que torce contra o País e rema contra a
maré, ao ponto de querer que nossa política externa seja dependente,
subalterna e colonizada aos interesses internacionais, como a que foi
imposta ao nosso País pelo presidente neoliberal e vendilhão da Pátria,
Fernando Henrique Cardoso. O complexo de vira-lata de nossa elite
branca, racista e preconceituosa em âmbito social é imenso, inenarrável.
Só que a imprensa privada não tem voto, como ficou demonstrado nas
últimas eleições, em 2010, apesar da traição da senhora Marina Silva,
tucana que se veste de verde e que tem o coração vermelho do PPS,
partido pequeno e desmoralizado, porque se transformou em um apêndice
não do PSDB, mas dos tucanos paulistas. Não é à toa que o senhor Roberto
Freire, pernambucano, hoje é político por São Paulo. Lula afirmou, após
a vitória de Dilma: "Não derrotamos apenas a oposição, o PSDB,
derrotamos também a imprensa". As mídias fizeram uma das campanhas mais
sujas que eu vi na minha vida. Mesmo assim não conseguiram eleger o
tucano José Serra, que jamais mostrou o FHC em sua propaganda eleitoral.

A verdade é que a imprensa tucana não quer o Brasil de Lula, de Dilma,
de Getúlio e Jango. Ela não quer o Brasil de Celso Amorim, que agora
ajuda a presidenta a administrar o nosso País muito melhor que o Brasil
dos neoliberais tucanos, que governaram somente para os ricos e venderam
o patrimônio público brasileiro que eles não construíram, na maior
desfaçatez e irresponsabilidade com o povo trabalhador brasileiro. A
imprensa burguesa, os tucanos paulistas e de outros estados e parte do
empresariado atrasado é um triunvirato perigosíssimo, por ser golpista,
por fomentar discórdia e fazer da política brasileira um texto novelesco
de péssima qualidade.

Porém, voltemos à protagonista deste texto, a presidenta trabalhista
Dilma Rousseff. O Estadão, jornal conservador da família Mesquita (eles
não são mais os acionistas majoritários), publicou ontem (21), na página
A-7, em sua edição impressa, foto da presidenta que dá a impressão de
ela ser trespassada por uma espada de um cadete do Exército, em
cerimônia realizada na Academia das Agulhas Negras em Resende, no Rio de
Janeiro. A foto, mais do que demonstrar que o fotógrafo foi feliz ou que
o editor do jornalão teve um momento genial, simboliza, mais do que
simboliza, sedimenta o desprezo, o ódio, a insatisfação e o
inconformismo que a imprensa comercial e privada e seus donos sentem
pelos políticos que não rezam pela cartilha desses empresários de
passado e histórico golpista.

A foto demonstra, indubitavelmente, a vontade que essa gente tem de
golpear uma presidenta constitucional, de formação socialista e
trabalhista, digna e eleita pelas urnas. É a direita mais atrasada do
Brasil. É o retrocesso com um poder enorme, ao ponto de publicar
leviandades perpetradas por causa de seus interesses econômicos que, na
maioria das vezes, não coadunam com a vontade e os interesses da nação
brasileira. Eles conhecem mais a Europa e os Estados Unidos que o
Brasil. Desprezam o Brasil e seu povo, mas não abrem mão de ganhar muito
dinheiro neste País, com empregados, evidentemente, brasileiros.

A foto de Dilma trespassada por uma espada de militar é o fim da picada.
A imprensa hegemônica e privada (privada nos dois sentidos, tá?) do
Brasil é golpista e por isso considero que a presidenta Dilma Rousseff
crie logo uma Ley de Medios, como ocorreu na Argentina e em outros
países, inclusive os desenvolvidos, que têm marco regulatório para o
setor de comunicação e de mídias diversas. Não se brinca com uma
imprensa potencialmente contrária aos interesses do País. Governos
trabalhistas não podem tergiversar com assunto tão importante para o
futuro da nossa democracia e das instituições republicanas. A história
do Brasil está repleta de golpes e crises e até mesmo mortes, por causa
de uma elite econômica perversa e de uma imprensa que é a sua porta-voz.
A foto da presidenta Dilma a ser ferida é mais do que simbólica. É um
desejo.

*/Davis Sena Filho/*



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