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s : slack-users-br@googlegroups.com 25 June 2009 • 9:25PM -0400

[slack-users] Re: Slackware e Acessibilidade - Minha Experiência
by Filipe Fedalto

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Parabéns!
É um relato digno de ser enviado para o Patrick, o grande pai do Slackware.
O que acham?

Abraços,

FILIPE FEDALTO
ffedalto@eaib...
http://www.eaibrasil.com.br



2009/6/23 Joelias Júnior <joeliasjunior@gmai...>

> Aiyumi, está de parabéns!!
>
> É gratificante para mim ver alguém feliz com o linux, mais ainda quando
> essa pessoa é exemplo de persistência e força de vontade como é o seu caso.
>
> Acho que esse seu depoimento poderia servir como incentivo para muitas
> pessoas. Já pensou em publicá-lo ou divulgá-lo em outras mídias?
> Pense nisso...foi gratificamente para mim lê-lo com certeza mais pessoas
> gostaram.
>
> Abraços e esteja a vontade para procurar-nos para o que precisar.
>
>
> 2009/6/23 Aiyumi Moriya <aiyumi.br@gmai...>
>
>>
>> Introdução
>>
>> Sou uma deficiente visual que teve a doida ideia de migrar de Rwindows
>> para Linux (Slackware). Estou escrevendo para dar meu depoimento sobre
>> a experiência que tive com a instalação e a configuração do sistema.
>> Uso computador desde 1996. Fui usuária de Rwindows até fevereiro deste
>> ano (2009), quando mudei para Linux de uma vez por todas. Na verdade,
>> fazia tempo que fiquei curiosa e quis experimentar o Linux, mas nunca
>> tive coragem. Há cerca de dois anos, precisei fazer um trabalho sobre
>> Software Livre na faculdade, desde então passei a acompanhar mais os
>> acontecimentos nas comunidades. Os dias passavam e o Rwindows foi
>> deixando de atender  as minhas necessidades e ia dando mais vontade de
>> migrar, mas ainda não sabia como.
>>
>>
>> Primeira Tentativa, Primeiras Impressões
>>
>> Certo dia, fiquei sabendo que existia um leitor de telas para Linux
>> chamado Orca
>> http://live.gnome.org/Orca
>> e que ele vinha por padrão no Ubuntu. Resolvi testar. Instalei no meu
>> laptop e, que beleza, funciona direitinho! Ou pelo menos foi o que eu
>> achei no começo. Havia vários problemas que atrapalhavam, um dos mais
>> irritantes era uma medida de segurança do Gnome que fazia com que o
>> Orca não falasse na hora de realizar tarefas administrativas. Fiz o
>> que é indicado em
>> http://live.gnome.org/Orca/SysAdmin
>> não adiantou muito, às vezes falava, na maioria das outras não. Também
>> acontecia muito de parar de falar, ou travar tudo de repente. O
>> problema foi ficando cada vez mais frequente, até que o meu Ubuntu não
>> funcionou mais. Li alguns artigos que me levaram à conclusão de que a
>> acessibilidade no pinguim ainda estava fraca. Fiquei pensando que os
>> problemas de travamento que tive eram "culpa" do Orca e resolvi
>> esperar algum tempo até que ficasse mais maduro.
>>
>>
>> Decepções
>>
>> Alguns meses se passaram. Ainda não queria desistir do Linux. Resolvi
>> "ver" a quantas andava e baixei o Ubuntu 8.10. Infelizmente o áudio
>> não funcionou no meu PC, que estava com uma placa de áudio Realtek
>> daquelas consideradas problemáticas para usuários Linux. Testei no
>> laptop e o leitor de telas finalmente falou: "Welcome to
>> Orca." ... ... ..... E mais nada. Procurei em fóruns, no site oficial
>> e na lista de discussão do Orca pela resposta do porquê de não ter
>> funcionado no Ubuntu 8.10. Não encontrei nada parecido com o meu caso.
>> Li várias coisas durante essa busca e cheguei a uma conclusão: não
>> gostei do Ubuntu.
>> - Primeiro, porque o Gnome é muito pesado e vem com um mundo de coisas
>> desnecessárias, que se eu não quisesse, teria de remover uma a uma,
>> ainda correndo o risco do APT ou do Synaptic removerem junto coisas
>> que não deveriam.
>> - Segundo, porque tem aquela falha que deixa o leitor de telas mudo
>> como Root.
>> - Terceiro, porque passou a usar o PulseAudio como padrão em vez do
>> ALSA e várias pessoas postaram na lista do Orca que isso diminui a
>> performance na acessibilidade, com umas soluções complicadas para
>> desinstalar o Pulse e ficar sem som enquanto tenta instalar o ALSA.
>> Li que o Orca funcionava com aplicativos em GTK2, não necessariamente
>> só com o Gnome. O XFCE (que é mais leve que o Gnome) também é em GTK2,
>> então tentei o Xubuntu (certo, também é Ubuntu, mas pelo menos não é o
>> Gnome). Coloquei o Orca nele e também não deu certo, não falou nada!
>> "Não, não é possível, tem de haver outra solução... Outra distro...",
>> eu pensava enquanto vasculhava a Internet em busca de respostas.
>> Encontrei perguntas do tipo:
>> "Existe alguma distro acessível por padrão?"
>> "Tenho um amigo deficiente visual e ele quer usar o Linux. Que distro
>> vocês me indicam?"
>> e as respostas eram:
>> "Ubuntu"
>> "Ubuntu"
>> "Ubuntu"
>> "Ubuntu"
>> "Ubuntu", ou alguma outra baseada nele.....
>> "Não! Eu já disse que não quero mais Ubuntu! Ah, chega! Vou tentar
>> outra coisa...", resolvi testar o Oralux, uma tentativa de
>> distribuição acessível já abandonada. Não funcionou no laptop, muito
>> menos no PC principal por causa da placa Realtek problemática, apenas
>> suportada a partir do Alsa 1.0.17 (sei lá qual era a versão
>> ultrapassada do Alsa do Oralux...). Tentei outra distro (que não
>> lembro qual era), disponível apenas em Inglês, também não funcionou
>> pelo mesmo motivo da anterior.
>>
>>
>> A Última Esperança
>>
>> Mais perguntas na Internet, mas apenas relacionadas a Linux, sem
>> considerar acessibilidade:
>> "Quero estudar Linux, que distro vocês recomendam?"
>> Resposta:
>> "Use Slackware. Distro simples, estável, bem testada, bastante
>> respeitada, uma das poucas que ainda não perdeu suas raízes, e faz
>> aprender na marra, porque não vem quase nada configurado e você é
>> obrigado a se virar."
>> "Ok, vai ser essa.", decidi.
>> Relatos na net diziam "É muito difícil!", mas será que era tanto
>> assim? Li vários artigos sobre a instalação e configuração, incluindo:
>> http://www.gdhpress.com.br/blog/instalando-o-slackware/
>> http://www.gdhpress.com.br/blog/slackware-sobrevivendo-ao-primeiro-boot/
>> http://www.gdhpress.com.br/blog/configurando-o-x/
>> E até o livro oficial, o SlackBook ("Slackware Linux Essentials"),
>> entrou na dança:
>> http://slackbookptbr.sourceforge.net/livro/slackbook.html
>> A cada artigo que eu lia, ficava cada vez mais certa de que era o que
>> eu queria. E mais, ele é acessível! Ou melhor, quase. Descobri que o
>> Slackware já vem com um leitor de telas, o Speakup
>> http://www.linux-speakup.org/
>> e que era possível realizar a instalação falada por meio dele. O
>> problema é que ele só suporta sintetizadores de voz via hardware por
>> padrão e eu não tenho esses equipamentos. Também há suporte a síntese
>> via software através do Speech-Dispatcher
>> http://www.freebsoft.org/speechd
>> e do Speechd-Up
>> http://www.freebsoft.org/speechd-up
>> , mas só depois de instalados o Slackware e os softwares de fala.
>> Então, de qualquer jeito eu precisaria de ajuda de alguém que
>> enxergasse.
>> Mesmo com o contra acima, resolvi instalar o Slackware. Algo me dizia
>> que seria difícil, enquanto outro algo dizia que não seria impossível.
>>
>>
>> Instalando e Configurando
>>
>> Destruí todos os meus experimentos falhos do meu laptop e inseri o DVD
>> do Slackware 12.2. Então, fiz minha mãe, que não entende nada de linux
>> e quase nada de Inglês, ler o instalador inteiro para mim. Umas três
>> horas depois, o Slack estava no meu laptop, mudo, mas funcionando.
>> Seguindo os passos de um dos artigos já mencionados, ainda com ajuda
>> não técnica, configurei o áudio com o "alsaconf", usei o "alsamixer"
>> para aumentar o volume, seguido de "alsactl store" para salvar. Para
>> fazer o negócio falar, usei o outro computador (que ainda estava com
>> Rwindows) para entrar na Internet e baixar os seguintes softwares:
>> - Espeak (sintetizador de voz com suporte a vários idiomas, inclusive
>> o Português):
>> http://espeak.sourceforge.net/
>> - Speech-dispatcher (servidor de fala):
>> http://www.freebsoft.org/speechd
>> - YASR (leitor de telas para o console):
>> http://yasr.sourceforge.net/
>> Transportei-os <http://yasr.sourceforge.net/%0ATransportei-os> para o
>> laptop com a ajuda de um pendrive e instalei
>> cada um com os três comandos básicos "./configure", "make" e "make
>> install". Assim, finalmente consegui usar o terminal e me virar sem
>> auxílio visual.
>>
>>
>> Aperfeiçoando
>>
>> Bastou viver um pouco no mundo Slackware para descobrir que usar os
>> três comandos básicos não é a forma mais prática para instalar (e
>> depois desinstalar) aplicativos. Fiquei sabendo dos SlackBuilds,
>> scripts para compilar programas e gerar pacotes para o Slack,
>> facilmente gerenciados pelas ferramentas da distro. Peguei um
>> SlackBuild básico, o da biblioteca Glib, mais alguns do repositório
>> http://repository.slacky.eu/
>> e usei como base para compilar as últimas versões do Orca e suas
>> dependências.
>> Depois de muitos erros e acertos, consegui instalar o Orca. Coloquei-o
>> para falar e ele disse:
>> "Welcome to Orca." ... ... ..... E mais nada.
>> "Ué? Por quê? Será que é porque não é o Gnome? Não, não pode ser, fugi
>> tanto dele para acabar nisso... Será mesmo que não tem escapatória e
>> vou ter de instalá-lo?"
>> A resposta logo veio. Encontrei outra tentativa de distro acessível, a
>> nova versão do Knoppix com um conjunto de softwares chamado ADRIANE
>> (Audio Desktop Reference Implementation and Networking Environment)
>> http://www.knopper.net/knoppix-adriane/index-en.html
>> Baixei e testei. A versão do ALSA era meio antiga e não funcionou no
>> PC por causa da placa de áudio problemática, mas no laptop foi que uma
>> beleza. A distro apresentava uma interface com menus em modo texto,
>> usando o Dialog e um leitor de telas para console, inclusive havia uma
>> opção de usar a interface gráfica, com o Orca como leitor de telas,
>> Firefox, OpenOffice e o LXDE
>> (http://www.lxde.org)
>> como desktop. Funcionou às mil maravilhas e sem Gnome!
>> Encontrei um artigo interessante sobre o assunto:
>>
>> http://www.linux-magazine.com.br/images/uploads/pdf_aberto/LM_51_50_55_06_tut_adriane.pdf
>> por meio dele e com base em alguns shell scripts do ADRIANE, soube que
>> para integrar o Orca com outras ferramentas GTK que não o Gnome, era
>> preciso setar algumas variáveis na inicialização:
>> export SAL_USE_VCLPLUGIN="gtk"
>>
>> export GTK_MODULES="gail:atk-bridge"
>>
>> Mesmo assim não funcionou, nada mais era dito além de "Welcome to
>> Orca.". Outra vez, procurei pelas listas de discussão e pelos fóruns,
>> sem encontrar nenhum caso doido parecido com o meu. Até que encontrei
>> o guia de como criar aplicativos acessíveis em GTK:
>> http://live.gnome.org/GAP/AtkGuide/Gtk
>> onde dizia para setar a variável "GNOME_ACCESSIBILITY" para "1".
>> Apesar do guia informar que colocar essa instrução no script de
>> inicialização do usuário estava depreciado (deprecated), foi só fazer
>> isso que o Orca abriu a matraca de vez!
>> Para iniciar uma sessão gráfica falante, era "só" colocar o seguinte
>> no final do arquivo .xinitrc:
>> # ----------------------------------------------------
>> # Inicia o registro do AT-SPI
>> exec "/usr/libexec/at-spi-registryd"&
>>
>>
>> # Coloca em modo de acessibilidade
>> gconftool-2 -s --type=bool /desktop/gnome/interface/accessibility true
>>
>>
>> # "Engana" o programa, fingindo estar usando o GDM
>> export LOGNAME="GDM"
>>
>>
>> # Integração com aplicativos em GTK
>> export SAL_USE_VCLPLUGIN="gtk"
>>
>> export GTK_MODULES="gail:atk-bridge"
>>
>> export GNOME_ACCESSIBILITY=1
>>
>> # Inicia o gerenciador de janelas
>>
>> sleep 0.5
>>
>> exec /usr/bin/startlxde& # Para o caso do LXDE
>>
>>
>> # Inicia o leitor de telas Orca
>> # (precisa ser a última coisa a iniciar)
>>
>> orca -n
>>
>> # ----------------------------------------------------
>>
>>
>> Migrando
>>
>> Depois de fazer backup de todos meus arquivos importantes, sem dó,
>> destruí a partição do Rwindows. novamente, com ajuda não técnica,
>> dessa vez escolhendo o Kernel com o Speakup, repeti o processo de
>> instalação e configuração do Slackware, agora no PC. Usei os
>> pacotes .tgz que construí nos meus experimentos no laptop para
>> instalar os aplicativos de acessibilidade. Mais alguns erros e acertos
>> depois, já tinha o computador principal com Slackware Linux e, melhor
>> ainda, falando!
>>
>>
>> Como Estão as Coisas Hoje
>>
>> Ainda não consegui fazer o Speakup falar via software , as instruções
>> disponíveis estão desatualizadas, vários nomes e comandos mudaram e já
>> não sei mais qual é qual.
>> Fora o Speakup(que não está funcionando) e o Orca, estou com mais dois
>> leitores de tela (console) instalados para testes e para emergências:
>> O YASR e o SBL (SUSE Blinux Screen Reader)
>> http://en.opensuse.org/SUSE_Blinux
>> que tem muito mais opções e configurabilidade do que o YASR.
>> Uso os aplicativos "comuns" para as tarefas do dia-a-dia (Firefox para
>> navegar na Internet, MPlayer para reproduzir vídeo e música, BROffice
>> para abrir os documentos com formatos proprietários etc.).
>> Quando preciso rodar algum aplicativo do outro sistema operacional
>> (geralmente, coisas relacionadas a games), uso o Wine, brigo com ele
>> reclamando das DLLs faltando daqui e dali, mas com um pouco de
>> paciência, funciona. Infelizmente ele não consegue rodar o NVDA
>> (leitor de telas aberto para Rwindows
>> http://www.nvda-project.org
>> ), mas como uso só de vez em quando, recorro à ajuda não técnica.
>>
>>
>> Conclusão
>>
>> Apesar de ter apanhado bastante dos aplicativos de acessibilidade,
>> agora estou usando o Linux e não me arrependo. O Slackware é uma ótima
>> distribuição, os arquivos de configuração são bem organizados, (sei
>> que muitos não concordam com isso mas na minha opinião) tem métodos
>> simples e eficazes de gerenciar pacotes e vem por padrão com muitos
>> programas úteis, tanto para usuários comuns quanto para
>> desenvolvedores. Estou bastante satisfeita com ele.
>>
>>
>>
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> Joelias Silva Pinto Júnior
> Bacharelando em Informática
> IFG - Campus Inhumas
> Bolsista CNPq
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GUS-BR - Grupo de Usuários de Slackware Brasil
http://www.slackwarebrasil.org/
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Antes de perguntar:
http://www.istf.com.br/perguntas/

Para sair da lista envie um e-mail para:
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